N. T. Wright

•19 June, 2009 • Leave a Comment

Primeiro, é parte de uma teologia saudável da vida cristã que nós rejeitamos o triunfalismo, particularmente a idéia de que qualquer ramo, tradição ou segmento da igreja cristã tenha conseguido toda a verdade que alguém precise. Isto poderia parecer simplesmente um impulso protestante, mas é encontrado da mesma forma na maioria dos melhores teólogos católicos e ortodoxos. E isto requer que nós todos herdemos nossas tradições como críticos internos; como vivendo fielmente e lealmente dentro de nossas tradições cristãs, e ainda assim sabendo que nós mesmos fomos chamados, precisamente como parte desta lealdade fiel, para estarmos constantemente alerta para caminhos nos quais a tradição distorceu a escritura ou o evangelho, ou tenha perdido alguma coisa que seja vital para sua vida saudável contínua. Freqüentemente, este papel de ser crítico interno é reduzido simplesmente ao emotivismo: eu não gosto disto, vocês não estão confortáveis com aquilo. Mas isto não nos leva a lugar algum. O que é necessário, vez após vez, é pensamento: discussão e insight cuidadosos, sábios e razoáveis que criticarão o que está errado e trabalhar o caminho adiante apropriado. O que é requerido, em resumo, é que as pessoas amem a Deus com suas mentes, assim como com seus corações, e trazer aquele amor para marcar a vida do povo de Deus. Esta, na verdade, foi uma das principais idéias do Iluminismo: que a Razão devia ser usada, não como uma arma contra a fé, mas como uma arma contra o tradicionalismo não pensante e batalhas não pensantes dentro de tradições. Racionalmente expor as coisas é uma maneira de mover sem manipular: é parte do amor ao próximo como a si mesmo, ao invés de ou forçar o próximo a concordar por pressão física ou emocional ou desistir e permanecer contente com um segundo melhor por medo de uma explosão.

Por Daniel Vieira

Gripe

•29 April, 2009 • Leave a Comment

É triste pensar na tal “gripe suina” se espalhando e matando gente por aí. Muito triste.
Desde ontem estou com gripe, por sinal uma das normais, graças a Deus, pelo menos nada de diarréias ou vômitos até agora.

Mas o que realmente tem me deixado mal nesses últimos dias é a quantas andas a “politicagem” brasileira, seja lá em Brasília ou aqui na minha cidade, Piratininga.
É claro que gastos de bilhões, milhares de falcatruas e tal aparecem na TV mais rapidamente, quando isso é interesse para os donos das TVs é claro,mas isso é outro post.
O que eu quero dizer é que provavelmente agora, hoje, algum tipo de corrupção está rolando em cada canto desse país.
OK, do ponto de vista cristão todos nós temos o mal auto-implantado e por contado pecado. Naturalmente o homem é fraco, caído, é mais fácil mentir do que dizer a verdade, mais fácil errar do que acertar, mais fácil odiar do que amar. Não falo isso de boca, falo de mim, das coisas que sou capaz de fazer, das mentiras que já contei e tive que me arrepender, do mal que já fiz.
Mas não pode ser normal o que acontece no Brasil, não pode ser aceitável. Duas perguntas: o que eu estou fazendo? o que nós (como nação) estamos fazendo?
As vezes tenho resposta, as vezes não.
Hoje meu pensamento está quase todo nisso. A curto prazo mobilizar estudantes (que andam devagar quase parando) caminhar pra Brasília, fazer greve de fome e ver no que dá. A longo prazo, investir em educação, conscientização, estretégia pra daqui a 20 anos o Brasil ser bem melhor do que é hoje. Faz sentido? Porque não as duas coisas?
Já vimos filmes assim, eu com meus 20 e poucos anos já vi, imagine os de 30 e pouco, 50 e pouco.
Me sinto num misto de “ensaio sobre a cegueira”, só que de gripe, corrupção e inércia. Pena que não é um livro.

I am second

•19 February, 2009 • Leave a Comment

PORQUE OS CATARINENSES SOFREM?

•2 December, 2008 • Leave a Comment

Eu não suportaria ouvir que o povo catarinense é pecador e merece o castigo divino. As teodicéias da teologia clássica não fazem sentido para mim. A explicação que Deus, por sua “vontade permissiva”, determinou em tempos imemoriais, por seu “sábio conselho”, que em 2008 morressem tantas pessoas soterradas, pode ser coerente para os teólogos de plantão. Menos para mim.

Quero também saber a justificativa dos neopentecostais que prometem vitória, prosperidade e vida blindada. Como ficam agora os cultos na rádio e na televisão em Santa Catarina? Os obedientes, os santos, passaram ilesos pela inundação?

Soli Deo Gloria.
Uma coisa é fazer teologia de cima de torres de marfim. Explicar o sofrimento contingencial com água na cintura é bem diferente.

Ricardo Gondim
http://www.ricardogondim.com.br

Consumo

•18 November, 2008 • Leave a Comment

E tudo mudou

•10 November, 2008 • 2 Comments
E tudo mudou… 

O rouge virou blush 
O pó-de-arroz virou pó-compacto 
O brilho virou gloss 

O rímel virou máscara incolor 
A Lycra virou stretch 
Anabela virou plataforma 
O corpete virou porta-seios 
Que virou sutiã 
Que virou lib 
Que virou silicone 

A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento 
A escova virou chapinha 
‘Problemas de moça’ viraram TPM 
Confete virou MM 

A crise de nervos virou estresse 
A chita virou viscose. 
A purpurina virou gliter 
A brilhantina virou mousse 

Os halteres viraram bomba 
A ergométrica virou spinning 
A tanga virou fio dental 
E o fio dental virou anti-séptico bucal 

Ninguém mais vê… 

Ping-Pong virou Babaloo 
O a-la-carte virou self-service 

A tristeza, depressão 
O espaguete virou Miojo pronto 
A paquera virou pegação 
A gafieira virou dança de salão 

O que era praça virou shopping 
A areia virou ringue 
A caneta virou teclado 
O long play virou CD 

A fita de vídeo é DVD 
O CD já é MP3 
É um filho onde éramos seis 
O álbum de fotos agora é mostrado por email 

O namoro agora é virtual 
A cantada virou torpedo 
E do ‘não’ não se tem medo 
O break virou street 

O samba, pagode 
O carnaval de rua virou Sapucaí 
O folclore brasileiro, halloween 
O piano agora é teclado, também 

O forró de sanfona ficou eletrônico 
Fortificante não é mais Biotônico 
Bicicleta virou Bike 
Polícia e ladrão virou counter strike 

Folhetins são novelas de TV 
Fauna e flora a desaparecer 
Lobato virou Paulo Coelho 
Caetano virou um chato 

Chico sumiu da FM e TV 
Baby se converteu 
RPM desapareceu 
Elis ressuscitou em Maria Rita? 
Gal virou fênix 
Raul e Renato, 
Cássia e Cazuza, 
Lennon e Elvis, 
Todos anjos 
Agora só tocam lira… 

A AIDS virou gripe 
A bala antes encontrada agora é perdida 
A violência está coisa maldita! 

A maconha é calmante 
O professor é agora o facilitador 
As lições já não importam mais 
A guerra superou a paz 
E a sociedade ficou incapaz… 

… De tudo. 
Inclusive de notar essas diferenças.

Luis fernando Veríssimo


Passou e ninguém viu

•5 November, 2008 • 1 Comment

 

rembrandt_the-good-samaritan

rembrandt_the-good-samaritan

 

 

Dias atrás comemorou-se uma data importante, porém sem muita festa.

Nem almejo falar da Reforma de maneira acadêmica ou teológica, não hoje. Só pensar e expor meus pensamentos a respeito desse dia 31 passado, que passou e ninguém viu.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_da_Reforma_Protestante

 

Parece que toda herança vinda de Wittenberg, na Saxônia está completamente esquecida, quando não, completamente desvirtuada. Religiosa? Política? Social? 

Onde estão evidências de qualquer protestantismo no Brasil? 

No sistema que infelizmente a igreja pretestante brasileira se transformou, e/ou se formou, as imagens que me vêm a mente são do levita e do sacerdote que passam tão “ocupados” pelo homem a beira do caminho.

Feliz Aniversário Reforma!

Tempo

•3 October, 2008 • 1 Comment

Equacionar o presente e o futuro é o desafio em questão no momento.

O tempo passa o tempo voa, e a poupança bamerindus já era. Passamos os últimos anos gastando nosso tempo e energia no trabalho de mobilizar e treinar jovens a médio prazo. Nisso nosso objetivo era que eles pudessem entender e aplicar melhor suas capacidades e viver uma vida consagrada, sem ser levado pela corrente estranha e totalmente triste do “evangeliques” brasileiro

No ambiente que escolhemos para isso, a arte tinha lugar privilegiado e foi com naturalidade que assumimos isso como nosso. Enquanto trabalhávamos, nossa rede de relacionamentos aumentou em quantidade e qualidade. Isso ajudou em muito a construir o que somos hoje.

Ao mesmo tempo víamos a necessidade de um crescimento no conhecimento a fundo de tudo aquilo que nos cercava. O ponto era assim: duas necessidades que te puxam pra uma decisão com relação ao futuro. Decidimos arriscar e reposicionar nossa carreira.

Essa decisão nos trouxe a oportunidade investir mais em nossa carreira, e respondeu àquela necessidade do maior conhecimento. Junto com isso vários desafios. Uma nova cidade, uma nova cultura de trabalho, uma nova equipe e a retomada de nossa formação pessoal. Tudo isso canalizado para o mesmo mar.

Assim como a poupança bamerindus, muita coisa morreu e ainda vai continuar morrendo. Precisamos olhar pra aquelas que estão nascendo e principalmente àquelas que tem sobrevivido e notar que simplesmente mudaram. Não deixaram de ser quem eram, mas passaram a enteder o mundo ao seu redor.

Hoje é quinta-feira e não sexta. E talvez esse blog um dia deixe de existir.

OS EXCLUÍDOS DO CAMINHO DE JERICÓ

•16 September, 2008 • Leave a Comment
por Ronaldo Lidório 
Erramos ao pensar que decisões são tomadas com base em nossa vontade. Apesar do desejo humano de exercer papel fundamental em nossas escolhas, tal sentimento não é forte o suficiente para gerar e manter iniciativas complexas — muitas vezes nem mesmo as mais simples. 

Decisões são tomadas com base em princípios. Aquilo que cremos e que nos impele a manter uma posição, por mais desconfortável ou improvável que pareça. As decisões mais duradouras são tomadas sob a motivação da Palavra de Deus. 

Lucas nos apresenta quatro personagens distintos no capítulo 10. O necessitado caído ao longo do caminho com feridas e dores era a figura de um judeu, assaltado e inconsciente entre Jerusalém e Jericó. Um sacerdote viajava por este caminho e provavelmente iria cultuar a Deus na sinagoga de Jericó. Possuía em sua bagagem um sermão pronto, usava suas vestes cerimoniais e tinha uma agenda a cumprir. Era seguido por um levita que talvez também caminhasse para Jericó para o mesmo evento cúltico. Se assim fosse poderíamos encontrar em sua bolsa o repertório de cânticos de adoração e palavras de exortação a uma vida mais santa. Talvez até pensasse em expressões poéticas que levassem o povo a buscar ao Senhor com mais intensidade. 

Passava por ali um samaritano. Possuía todos os motivos sociais para fechar os olhos, pois o homem caído era um judeu, intruso em sua terra e opressor do seu povo. Poderia ser esta a oportunidade de vingança, mesmo que silenciosa. Também não cairia bem a um samaritano ajudar um judeu. Mas ele se compadeceu e decidiu ajudar. Não parou puramente pela vontade. Talvez nem tivesse vontade de parar. Parou por seus princípios. Assim ele salvou o ferido, o que nos leva a entender que algumas iniciativas podem transformar vidas. E estas são as iniciativas que devemos buscar ao longo da nossa existência. 

O sacerdote e o levita, absortos pela institucionalização de seus ministérios, esqueceram que pessoas são mais importantes que coisas e compromissos, que uma alma vale mais que o mundo inteiro. Embora tivessem a roupagem e a função sacerdotal e levítica, esqueceram-se da missão e já não choravam pelos homens caídos em caminhos vazios. 

Em 2005, Edson e Márcia Suzuki, co-fundadores da ONG ATINI — Voz pela Vida, atendendo ao apelo dos pais, colaboraram com a retirada de dois bebês da tribo Suruwahá para tratamento apropriado em São Paulo. A retirada dos bebês os liberava do sacrifício por iniciativa da comunidade Suruwahá. Iganani, uma das crianças, chegou a ser deixada na mata para morrer, mas foi resgatada pela mãe, por convencimento da avó. Tititu, a outra criança, quase foi flechada pelo pai, que decidiu levá-la aos brancos à procura de ajuda. A mãe de Iganani desejava, a despeito da prática comunitária de seu grupo, preservar a vida da filha. Os Suzuki, que vivem entre os Suruwahá há vinte anos, contabilizam cerca de 28 casos de infanticídio no grupo. Este fato social (a preservação da vida, por iniciativa indígena, de crianças que seriam sacrificadas na comunidade) abriu um precedente ético e comportamental entre os Suruwahá: quando um povo repensa suas soluções para o sofrimento e as ajusta a práticas mais humanizadoras na cosmovisão do próprio grupo. A ATINI tem sido também promotora da conscientização sobre o direito à vida em cerca de cinqüenta etnias no Brasil através de cartilhas sobre os direitos humanos aplicados ao universo indígena. 

No Brasil convivemos com a injustiça humana todo o tempo: a injustiça do trabalho escravo, do abuso sexual, do infanticídio tolerado, da prostituição forçada, do alcoolismo induzido, dos que não têm nada nem chance de nada ter, nem esperança. Não é preciso olhar muito longe. Basta olhar ao redor. 

Para se envolver é preciso decidir. Decisões tomadas pelos princípios de Deus, que nos movem, não apenas pelo impulso do coração, pois para cada iniciativa há um preço a pagar. 

Que Deus nos guarde de ser uma Igreja de sacerdotes e levitas apressados, com sermões prontos, vestes bem passadas e agenda inflexível. Que o Senhor nos ajude a ser uma Igreja de samaritanos, que tenha olhos abertos, que se arrisque a parar, que pague o preço e tome decisões que transformam. 

Leia também o texto Não há morte sem dor; uma visão antropológica sobre a prática do infanticídio indígena no Brasil

• Ronaldo Lidório é doutor em antropologia pela Royal London University e organizador de Indígenas do Brasil — avaliando a missão da igreja (Editora Ultimato). Atuou durante 9 anos no norte de Gana, na África, como plantador de igrejas, tradutor bíblico e coordenador de programas sociais nas áreas de saúde e educação.

Reprodução permitida. Mencione a fonte.
Editora Ultimato – Caixa Postal 42 – 36570-000 – Viçosa-MG

Escolho meus amigo pela alma exposta

•10 September, 2008 • Leave a Comment

Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Louco que senta e espera a chegada da lua cheia. Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Pena, não tenho nem de mim mesmo, e risada, só ofereço ao acaso. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que anormalidade é uma ilusão imbecil e estéril. 

 

 

Marcos Lara Resende